| Stiglitz alerta governos europeus para tentação de reduzir estímulos, em entrevista ao El País |
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A moeda única europeia “corre o risco de desaparecer se não se gerar uma onda de solidariedade, se não se implementarem soluções institucionais”, disse em entrevista ao “El País”. Madrid - Em entrevista ao jornal espanhol El País, o economista norte-americano e Prémio Nobel de Economia de 2001, Joseph Stiglitz, alerta os governos europeus para tentação de reduzir estímulos à economia. ![]() “O problema é evidente, mas a lentidão e a debilidade da resposta questionam a sobrevivência do euro”, avalia. De acordo com o Nobel de Economia, “os mercados não são propriamente uma fonte de sabedoria: são predadores, muitas vezes estúpidos, são completamente imprevisíveis e se a Alemanha e o resto da Europa não procurarem soluções, podem provocar estragos”. Stiglitz considera que “há riscos de ataque dos mercados se não se fizer nada; mas há outro risco ainda maior, o de cair no fetichismo do défice, que pode levar os governos a retirarem estímulos e a aumentarem impostos antes de tempo para evitarem esses ataques: isso é muito perigoso e pode desacelerar a economia, conduzindo-a para uma espiral complicada. Os exemplos mais claros são a Argentina e os países do sudeste asiático”. Referindo a crise asiática dos anoo noventa, o economista lembra que “a Tailândia foi o primeiro grande país a cair. Os mercados apostaram em seguida que cairia a Indonésia. E a Indonésia caiu. Depois puseram em cheque a Coreia. Bingo. Hong Kong e Malásia seguiram-se de imediato”. Hong Kong e Malásia “tomaram medidas e atacaram quem os atacava”. “Sofreram, mas aguentaram com os especuladores. Essa é a lição que a Europa deve aprender. E essa é também a maior decepção da crise: não há solidariedade”, afirma Stiglitz na entrevista ao El País. |
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